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Avaliação Educacional e a Construção do Conhecimento em Rede

23 de setembro de 2013 16:28

A avaliação sempre existiu como uma ação essencialmente inerente ao ser humano. Diariamente avaliamos nossa postura, o comportamento do outro, o alimento que iremos comer, a roupa que iremos vestir, o preço de um produto, enfim, estamos constantemente exercitando a ação de avaliar e, muitas vezes, não nos damos conta disso.
Embora a avaliação seja uma ação inerente ao ser humano, como área de investigação científica ela só surgiu na década de 40, com a intensa atuação e influência dos trabalhos de Tyler e, posteriormente, no período de 1960, com as contribuições de Lee J. Cronbach, Michael Scriven e Robert E. Stake, entre outros que abordaram aspectos fundamentais dos procedimentos de avaliação (VIANNA, 2000).

A trajetória histórica e a evolução das concepções de avaliação educacional no Brasil tem mostrado forte tendência dos modelos adotados em outros países, sobretudo dos Estados Unidos, com as contribuições de Tyler. Desde uma perspectiva limitada à aplicação de testes (docimologia) e mensurações do desempenho escolar, até uma dimensão mais subjetiva, considerando aspectos educacionais mais amplos, filosóficos e políticos.

De acordo com Vianna (2005, p.26),

A avaliação não pode ignorar as várias dimensões do contexto escolar, tendo em vista a influência que o mesmo tem, e com destaque especial, na definição de diferentes propostas de avaliação, cujo objetivo maior, no final, e sem que paire qualquer dúvida, centra-se na melhoria do proceder educacional.

A avaliação hoje é um processo muito mais complexo, envolve juízo de valor. Não é um processo estanque de uma única etapa que simplesmente verifique ou mensure se o que foi realizado teve um resultado positivo, satisfatório. Deve levar em conta etapas de análises qualitativas que requer uma visão sistêmica da educação e conhecimento dos fatores que interagem no processo educacional. Ou seja, é preciso mergulhar no processo de ensino-aprendizagem, para compreender como o estudante aprende e quais estratégias podem ser utilizadas em sala de aula para proporcionar o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa.  Não obstante, deve-se analisar a instituição como um todo considerando os processos de trabalho pedagógico, a formação e o desenvolvimento dos profissionais da educação, os processos administrativos da gestão escolar, os contextos econômicos, sociais e culturais que também influenciam o processo de ensino-aprendizagem e em sua avaliação.

Na educação profissional, assim como em qualquer outro segmento educacional, a ação docente não é isolada. Existem diretrizes institucionais que são descritas no Projeto Político Pedagógico da escola, construído com a participação da comunidade escolar, que servem para nortear as ações educacionais, definindo os pressupostos filosóficos, a proposta pedagógica, contendo o embasamento teórico para o planejamento, a metodologia e a avaliação educacional.
Assim, a equipe administrativa pedagógica trabalha para “orquestrar” as ações, conduzindo as atividades em sintonia com a proposta da instituição.

Comparando este processo com a construção de uma obra, observamos que, na construção de um prédio, por exemplo, existem trabalhadores desempenhando atividades diferentes, que se complementam; perceberemos que há um profissional para acompanhar a construção, que é o mestre de obras, o engenheiro para orientar as ações, conforme o plano da obra e avaliar o trabalho da equipe, de forma a alcançar o resultado esperado. Todos são co-responsáveis pela construção. E a avaliação é feita constantemente, para reparar erros em tempo hábil. Se o engenheiro ou o mestre de obras esperasse o edifício ficar totalmente concluído para identificar as falhas, possivelmente teriam um gasto financeiro muito maior, correndo o risco até de o prédio inteiro desabar, dependendo do problema.

Da mesma forma na educação profissional, existe uma equipe pedagógica que planeja, organiza, executa e avalia as ações educacionais de forma contínua, pois assim como na construção de um edifício, no processo educacional também é necessário um acompanhamento do desempenho de toda a equipe. Além da formação do estudante, é preciso cuidar também da formação dos professores e dos gestores. Todos fazem parte do processo e por isso influenciam no resultado final.

Se a equipe pedagógica deixar para avaliar apenas o resultado final da ação realizada, corre um grande risco do “prédio desmoronar”, desconsiderando todo o planejamento do trabalho docente e todo o processo de desenvolvimento das competências requeridas para cada atividade proposta em sala de aula. O professor perde a oportunidade de intervir para ajudar o estudante na construção da aprendizagem e a supervisão pedagógica, que acompanha o trabalho docente, perde a oportunidade de intervir para melhorar o processo de ensino-aprendizado. Precisamos compreender que o resultado final é apenas a demonstração de um longo caminho percorrido. Por isso, o foco da avaliação não pode ser no produto, na tarefa em si, mas na construção desse produto, na aprendizagem desenvolvida com a sua elaboração.

Vale considerar que, a produção do conhecimento exige habilidades e atitudes transversais, que precisam ser consideradas no desenvolvimento da atividade, como, por exemplo, em um trabalho em equipe deve ser avaliado as interações entre as pessoas, o respeito às opiniões dos membros, entre outros comportamentos; no trabalho de pesquisa na internet, envolve o conhecimento sobre o uso das tecnologias e assim por diante. Tudo isso faz parte da avaliação.

Segundo Machado (2011), existem três concepções que precisam ser analisadas quando falamos de avaliação educacional, são elas: conhecimento, medida e avaliação. E que embora não devam ser tratadas isoladamente, precisam ter por certo o que se entende por cada uma dessas concepções, pois uma tem com a outra uma relação intrínseca.

O exemplo disso, se o conhecimento for compreendido como algo que se acumula e que é depositado em um reservatório, neste sentido, avaliar, poderia estar associada a uma operação simples de medição desse reservatório. Na contemporaneidade, a palavra relacionada ao conhecimento é “construir”. O conhecimento deixa de ser algo meramente adquirido como um “bem” para ser algo construído, tecido em rede a partir das relações e interações com outras pessoas e outros conhecimentos.

Machado, (2011, p. 257) explica que:

Com efeito, conhecer, cada vez mais, aproxima-se da ideia de conhecer o significado. O significado de A constrói-se através das múltiplas relações que podem ser estabelecidas entre A, B, C, X, P, T, O, etc., e as fontes de relações situam-se cada vez menos no interior de uma só disciplina, ou mesmo no interior da escola.

As relações que proporcionam a construção do conhecimento se dão em diferentes locais (sistemática ou assistematicamente), em contato e interação com diversas áreas do conhecimento. E com a conectividade e interatividade proporcionada pela Internet, tornou-se fácil e rápido estabelecer redes de relacionamentos e de conhecimentos.

Nesse contexto, surge então o desafio: como avaliar essas redes e teias de significações, com seus elos, seus nós, suas irregularidades, seus ajustes e permanente formação e transformação? Como medir uma rede? Como aferir seu valor? (Machado, 2011). Que conhecimentos são necessários ao avaliador? E os professores, será que sabem avaliar o conhecimento tecido em rede? Eles receberam uma formação para isso?

No contexto da educação profissional esta questão é bastante pertinente, pois a maioria dos docentes que atua neste segmento não possui licenciatura, são técnicos ou bacharéis em uma área específica. Desta forma, a sala de aula configura-se como o próprio laboratório para “aprender a ser professor”. O ideal é que não se esgote por ai. É fundamental a troca de conhecimento entre os professores e a equipe pedagógica da instituição para o surgimento de novas estratégias metodológicas adequadas ao público dos cursos de educação profissional.

Devemos avaliar o estudante e ao mesmo tempo avaliar nossa prática, a nossa concepção de avaliação, a nossa própria experiência com a avaliação, que são fatores que interferem na forma como propomos a avaliação aos estudantes. Para isso, o Senac Ceará criou uma Comunidade de Prática Docente, espaço virtual que possibilita a troca de experiências entre professores, supervisores e consultores pedagógicos. Aproveito para convidar a equipe a continuar debatendo sobre esse tema na comunidade docente.

REFERÊNCIAS

MACHADO, Nílson José. Epistemologia e didática: as concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente. 7 ed. São Paulo: Cortez, 2011.

VIANNA, Heraldo Marelim. Avaliação educacional: teoria-planejamento-modelos. São Paulo: IBRASA, 2000.

______. Fundamentos de um programa de avaliação educacional. Brasília: Liber Livro Editora, 2005.

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