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Inovação, pesquisa e senso crítico: ferramentas do educador da atualidade.

09 de junho de 2014 16:24

Certa vez alguém disse que não existe uma só maneira de dar aula e que boa aula corresponde às estratégias adequadas para desenvolver um tema a partir da realidade do estudante e de seus conhecimentos prévios. Cabe a cada professor descobrir no processo de aprendizagem de seus alunos a forma mais eficaz de atingi-los.

Cortella (2013), parafraseando Einstein, afirma que “fazer as coisas do mesmo jeito e esperar resultados diferentes é tolice”, portanto, é preciso buscar sempre a mudança, mas o mudar não é não ter consistência nas coisas, mas adequá-las ao momento, ao contexto. “O animal satisfeito dorme”, diz Cortella (2013), referenciando o grande Guimarães Rosa. E o educador jamais se mantém satisfeito, pois a cada dia ele deve buscar, querer mais e melhor para o desenvolvimento do trabalho docente. É o que Cortella chama de “insatisfação positiva”, ou seja, a busca de mais conhecimento, mais experiência, mais capacidade. Ser capaz de ir buscar, ter audácia (planejar e partir) e coragem de enfrentar o medo (do desconhecido).

Hoje, o educador, mesmo com conhecimentos técnicos e científicos, muitas vezes na prática do seu cotidiano escolar, não se utiliza de uma “filosofia crítica” que conheça a realidade do educando e ensine aprendendo. É importante uma estratégia metodológica que oriente e leve o estudante a pensar, questionar o sentido, o significado e a finalidade do conteúdo estudado, pois o que está presente geralmente é o senso comum, ou seja, tudo aquilo que se aprende no decorrer da vida, conhecimentos e valores.

E onde se adquirem estes entendimentos? Inicialmente no núcleo familiar e depois no ensino formal, isto é, no convívio com a família, na escola, no grupo religioso, no trabalho e demais grupos da sociedade em que se vive. À medida que são acumuladas informações, é formado um entendimento que cada pessoa possui da vida.

Essas compreensões constroem “uma visão de mundo”. A isto se denomina de senso comum e é preciso tomar cuidado, pois neste contexto o papel do educador pode se tornar apenas o de um trabalhador realizando uma tarefa rotineira, na qual simplesmente entra na sala de aula, apresenta o conteúdo que foi programado e depois avalia o aprendizado do educando e este deve aprender do jeito que foi ensinado, mostrando através de teste ou prova exatamente o que recebeu do professor; assim, o educando torna-se um ser passivo. Para Barbosa e Moura (2013 apud Pecotche, 2011), “é essencial que o aluno faça uso de suas funções mentais de pensar, raciocinar, observar, refletir, entender, combinar, dentre outras que, em conjunto, formam a inteligência”.

Na realidade, seria transformar a aprendizagem em um processo ativo da inteligência. Para o desenvolvimento da capacidade de pensar do estudante, faz-se necessária a adoção de uma postura diferenciada do docente, aquela que no âmbito do senso crítico pedagógico, educador e educando caminham juntos, sujeitos atuantes no processo de construção do conhecimento, um ensinando e aprendendo, o outro sendo orientado a compreender, desenvolvendo suas habilidades críticas numa busca constante pelo saber.

É possível adotar tal postura? Existe uma receita? De certo que não há receita pronta, mas é totalmente possível que a busca pelo desenvolvimento contínuo seja o rumo certo. Tardif (2006) afirma que:

o professor ideal é alguém que deve conhecer sua matéria, sua disciplina e seu programa, além de possuir certos conhecimentos relativos às ciências da educação e à pedagogia e desenvolver um saber prático baseado em sua experiência cotidiana com os alunos. (TARDIF, 2006, p. 39)

Em suma, o docente é o profissional multidimensional, capaz de no seu exercício fazer envolver múltiplos saberes. Segundo Tardif (2006):

[…] o saber dos professores é plural, compósito, heterogêneo, porque envolve, no próprio exercício do trabalho, conhecimentos e um saber-fazer bastante diversos, provenientes de fontes variadas e, provavelmente, de natureza diferente. (TARDIF, 2006, p.18)

Mas para que haja essa interação entre saberes docente e os saberes dos estudantes no campo da educação profissional é preciso que os docentes assumam um papel de pesquisadores de novos conhecimentos para aperfeiçoarem cada vez mais a prática educativa. Vale ressaltar que no contexto do modelo tradicional de ensino as competências voltavam-se à questão técnica, ao saber pelo saber e não por sua aplicação (social, relacional), enquanto que no contexto atual, as competências, além da questão técnico-científica, voltam-se às questões profissionais (habilidades, perfis) e sociais (valores, atitudes), cujo foco hoje é a aplicabilidade.

O mundo do trabalho exige saberes articulados que solucionem problemas e modifiquem realidades. Os avanços na tecnologia, as estruturas familiares, os valores invertidos ou modificados são características da nova sociedade que influi sobremaneira na postura do estudante e, consequentemente, na postura docente. Por isso, com a necessidade de mudança, não é mais possível manter um fazer docente baseado na formação que se teve enquanto aluno: aquela do senso comum, da participação passiva do estudante e da detenção do saber pelo professor. A construção do conhecimento parte do senso crítico, da aprendizagem colaborativa e significativa, do desenvolvimento de competências técnicas, sociais e atitudinais.

Em síntese, é possível traçar um paralelo entre o modelo de ensino tradicional e o da chamada era da informação para um melhor entendimento sobre a busca constante e crescente de mudança no fazer docente e a percepção do contexto em que vive o estudante:

Tradicional

Era da informação

• Ensino centrado no professor. • Ensino centrado na relação aluno-professor.
• Postura estática, risco de inovar. • Postura dinâmica, propenso à inovação.
• Questão pedagógica central: aprender. • Questão pedagógica central: aprender a aprender.
• Metodologia predominante expositiva. • Metodologias diversificadas, conforme o contexto.
• Planejamento desarticulado. • Planejamento articulado – métodos e recursos.
• Postura autoritária e parcial. • Postura acolhedora, envolvente e imparcial.
• Trabalho centralizado. • Distribuição de tarefas e responsabilidades.
• Decisões impostas – gestão autocrática. • Decisões em equipe – gestão democrática.
• Conhecimento restrito ao seu fazer. • Conhecimento diversificado e interdisciplinar.
• Visão fragmentada do processo. • Visão sistêmica do processo.
• Preocupação no resultado (nota). • Preocupação no processo (aprendizagem).
• Trabalho com foco em resultados. • Engajamento no trabalho da gestão de conflitos.
• Valorização do conservadorismo. • Valorização da autonomia e a criatividade.
• Uso limitado de recursos tecnológicos, sem agregar valor ao aprendizado. • Uso ilimitado de recursos e ferramentas tecnológicas, possibilitando melhor aprendizado.
• Retenção do conhecimento e aprendizagem individualista. • Disseminação do conhecimento e aprendizagem colaborativa.

 

Quadro 1 – paralelo entre os modelos educacionais

O Senac como instituição de educação profissional que possui em suas diretrizes a inovação do conhecimento e missão de educar para o trabalho, precisa desse docente pesquisador que busca o aprimoramento e aplica-o constantemente a fim de formar profissionais para o mercado e o mundo do trabalho, em outras palavras, como afirma Léa Depresbiteris (2005):

Numa perspectiva mais ampla, a educação profissional deveria zelar pela ideia de promover as competências necessárias para gerar não só a oportunidade de um trabalho, mas ferramentas de pensar e de agir, que permitam a formação de um cidadão capaz de saber conviver em um mundo cada vez mais complexo e mutante. A ideia central é a de “educabilidade”, ou seja, desenvolver estratégias, ao longo da educação profissional, para que as pessoas possam modificar, melhorar suas maneiras de pensar, suas estruturas cognitivas, suas atitudes e possam repensar seus valores. (DEPRESBITERIS, 2005, p. 11)

Portanto, cabe a todos a revisão de seus conceitos e posturas ou reafirmá-los a partir do contexto em que se vive. Trazer para si a responsabilidade e dividi-la quando necessário, respeitando a dimensão de trabalho de cada indivíduo (professor, aluno, supervisor etc.) é fator primordial para uma instituição de educação profissional que visa à excelência no seu fazer. Então, vamos à busca…

Referências

BARBOSA, E. F. e MOURA, D. G. Metodologias ativas de aprendizagem na educação profissional e tecnológica. Boletim Técnico Senac. 2013. Disponível em: <http: //www.senac.br/media/42471/os_boletim_web_4.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2014.

CORTELLA, Mário Sérgio. Da oportunidade ao êxito: mudar é complicado? Acomodar-se é perecer. São Paulo, 2013. Palestra ministrada no congresso Educar Educador em: 24 maio 2013.

DEPRESBITERIS, Léa. Competências na educação profissional: é possível avaliá-las? Boletim Técnico Senac. 2005. Disponível em: <www.senac.br/informativo/BTS/312/boltec312a.htm>. Acesso em: 29 abr. 2014. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

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